Acabo de finalizar a leitura de mais um livro do Saramago, “A Caverna”. E estou no livro até agora, pasmo, com medo de mim mesmo e cheio de inquietações. Logo eu fui ter acesso a esse livro? Uma eterna criança com medo das contradições,
Dane-se. Não é eu quem sempre falo que devemos ler livros que estraguem a gente?
Então, A Caverna é um desses livros. Nele Saramago recria o “Mito da Caverna” de Platão, através da vida de uma família de oleiros que somente depois de ter os produtos totalmente rejeitados é que se libertam de uma caverna onde estão sentados num banco de pedra olhando sombras na parede, projetadas por uma fogueira atrás deles e que eles pensam ser somente isso o mundo.
O momento da leitura em que comecei a ficar mal foi quando Cipriano Algor, um dos protagonistas, encontra numa caverna embaixo de um shopping Center, seis corpos humanos acorrentados em bancos de pedra. Aí ele mesmo senta e começa a chorar. Não há nada mais triste, mais miseravelmente triste do que um idoso a chorar, ainda mais numa situação como esta, onde depois de mais de 60 anos ele descobre que foi enganado, sendo obrigado desde o berço a pensar assim, trabalhar assim, consumir assim e achar assim.
Acho que nunca sairei desse livro, e se sair não será ileso, pois estou desde ontem a procurar um lugar nesse mundo que não é uma caverna, inclusive creio que a maior delas está em nossa própria cabeça.
Vídeo do youtube que explica o que é o mito da caverna
Agora vou iniciar a leitura de “As intermitências da Morte” também de José
Saramago, pois na terça que vem tenho um debate sobre ele.
Salve, salve meus queridos e minhas queridas. Entre tantas correrias que sou envolvido, parei agora aqui no blog para destacar uma delas. Trata-se de uma peça teatral encenada ontem no Pavilhão da Cultura Afro, em Suzano. A peça foi baseada no texto "O enfermeiro" do escritor negro Machado de Assis, e encenada pelo grupo de teatro formado em Suzano para o projeto de incentivo à leitura "Letras de Luz". Então unimos o útil ao agradável. Aqui na cidade, onde somos município pólo, eu é quem coordeno o Letras de Luz, e estou tocando um projeto também no Pavilhão.
Feira de Troca de Livros e Gibis acontece neste sábado
No próximo sábado (27/3) a Prefeitura de Suzano em parceria com a Associação Cultural Literatura no Brasil, realiza mais um vez na cidade, a Feira de Troca de Livros e Gibis que será realizada das 10h às 16h, no hall de entrada do Centro de Educação e Cultura "Francisco Carlos Moriconi" (Rua Benjamin Constant, 682 – Centro – Suzano - SP).
A feira é realizada todo último sábado do mês.
Dessa vez teremos apresentação musical com Marcio Sam e Banda Lítero Musical, exibição do Vídeo-Literatura / Projeto Experimental e do filme Palavra (En)Cantada, além de um sarau de poesias e espaço aberto para quem quiser se apresentar.
Os interessados podem comparecer no espaço e fazer troca no stand da prefeitura, da associação ou trocar com outros usuários que estiverem no local.
Gêneros como romance, poesia, crônica, cordel e HQ, fazem parte do acervo de troca da feira.
O objetivo é criar um espaço de convivência entre escritores, poetas, colecionadores, educadores e leitores em geral.
A entrada é gratuita e não tem classificação etária.
Outras informações sobre o evento podem ser obtidas pelo telefone (11) 4747-4180.
_______ Nesses últimos dias venho dedicando cerca de 6 horas diárias na produção do meu novo romance, o "Estação Terminal". Fico até às 2h ou 3h da manhã escrevendo, deletando, refletindo, criando fatos e pesquisando.
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O tema central do livro foi vivido por mim durante 12 anos. O livro é a história do terminal Metrô Itaquera e os problemas que o cercam, como o transporte clandestino e alternativo, os ambulantes, os moradores de rua que vivem ali, pedintes, máfia dos policiais e a máfia da Viação Cidade Tiradentes. O romance é permeado pela vida de sete protagonistas: Pixote, Gago, Mastroloco, Maria José, Cadeirinha, Arilson e Helton Lima. Todos com seus conflitos e crises que fará do livro um instrumento da verdade humana para o leitor desatento entender que precisa ser chocado pra acordar para a realidade que o cerca.
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Como sempre faço em minha criação literária, uso de todos os meios possíveis de pesquisa para compor um texto que seja bom. Assim como ouvi centenas de músicas de forró, quando compus o conto "Os Prazeres de Sara" para os Cadernos Negros 28, hoje, escrevendo "Estação Terminal", o computador aqui de casa fica conectado à internet o tempo todo, pois o livro se passa entre os anos de 1988 à 2006, antes da chegada do Shopping Itaquera e poucos anos depois da chegada do Expresso Leste e do Poupa Tempo.
Com isso estou ouvindo muita música, músicas que ouvia nas viagens de lotação que fazia como cobrador da Cidade Tiradentes até o Metrô Itaquera, ida e volta, músicas que meus companheiros de trabalho da época, abriam a porta de trás da kombi ou da van e aumentavam no último volume.
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Meu ex-patrão adorava Roberto Carlos. De segunda a sexta-feira, das 5h às 6h da manhã, ouvíamos "As canções que você fez pra mim", programa na Nativa FM, apresentado pelo Dudu Braga, o segundinho, filho do rei.
Foi assim que aprendi a gostar de Roberto Carlos, que aprendi a ouví-lo.
Portanto, estou re-ouvindo diversas músicas para voltar de verdade à esta época, época que presenciei mortes de dezenas de amigos e passageiros, por conta do olho grande de muitos motoristas, e de policiais mafiosos que tomavam de assalto linhas de lotação para enriquecer. Época que a ex-prefeita Marta Suplicy enfrentou a máfia dos empresários da Viação Cidade Tiradentes e do Sindicato do crime, época do nascimento das cooperativas do transporte alternativo e dos lucros exorbitantes das concessionárias de vans, sprinters e microônibus.
Porém, vale dizer que o livro é ficção, mesmo baseado em todos esses fatos dito acima. É que é necessário recontar literariamente os fatos pra dar espaço e voz aos ditos vencidos na história da humanidade.
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Postei abaixo quatro músicas que me remetem à época. Mas creio que somente eu, ao ouvir essas músicas, ter vivido 12 anos nesse lugar e agora relembrando momento á momento, através de minhas anotações e de lembranças, sofro com tudo, por tudo e por todos. Mas nenhum de vocês sabe o tamanho dessa dor, muito menos a quantidade de lágrimas que derramo nessas madrugadas de criação desse romance.
Talvez é porque eu seja muito sensível. Mas bem sei o que vi, e algumas coisas só entendi depois, porque iniciei lá com 8 anos de idade. Quem sabe quando lerem o livro sintam essa angústia. Se isso acontecer, o romance cumprirá sua missão.
Leminsk disse em um dos seus pequenos textos que um homem com dor anda mais elegante.
Á pouco tempo criamos dentro da Associação Cultural Literatura no Brasil o projeto "Conte Sua História", onde uma vez ao mês um integrante da associação conta toda a sua vida e em que momento ela se encontra com a literatura. O primeiro a abrir as páginas de sua vida foi o Cákis. Ontem foi a vez da professora Maria Cristina.
A certeza que temos é que quando damos a chance de um companheiro falar de sua vida, nós aprendemos muito e valorizamos mais esse companheiro, principalmente como ser humano.
Veja as imagens:
fotos: Landy e Sacolinha
Profª Maria Cristina
escritores, poetas e músicos da associação viraram público
Mano Cákis, depois de contar sua história, virou espectador
Família da Débora Garcia: Martinália
Jady e Seny, pagando de cantoras
Trio Maxixe
Antes do sarau essa turma resolveu brincar de ciranda
Marcio Sam e a MPB
Dany Morais toda contente
Francis e seus cordéis
Eu, todo orgulhoso, mostrando o que será a capa do Peripécias de Minha Infância
Grupo Ensaio Geral
Sábado estive numa maratona de três compromissos. Entrevista no programa da Rádio/TV Contadores de Mentira, Assembleia geral da Literatura no Brasil e o Pavio da Cultura, que foi lindo, e que nem as imagens conseguem descrever, muito menos as palavras. Confira abaixo as participações:
Fotos: Silvia Seny e Cristina Ramos
Seny e Peterson numa apresentação lítero-musical
Teatro: Os 100 barbas
Paulo Odair
Débora Garcia fazendo teatro de sua poesia
Francis Gomes no meio do público
Fabiano (Biko) recita sua letra de Rap
Pinguinho e suas histórias que lembram Rolando Boldrin
Francis e Guel cantam Chico Mineiro
Sacolinha sorteia livros
Peterson e Valdivino cantam "Agora eu Sei"
Público e artistas se confundem na plateia
D. Elisabete e sua simpatia
Trio Canela Fina
Marcio Sam, Sacolinha e Nelson Olavo
Estevão Ray, fez um mini concerto de piano: tocou até Bach
Dany Morais
Seu Lourenço fez uma interpretação com o celular
E a Jady aproveitou a saída da mãe dela e disse pra todos que estava disponível para beijos, abraços... quem se habilita?