sábado, março 16, 2013

Comentário 2

Por Claudio Domingos, filósofo, professor e militante cultural.



Ontem participei do lançamento do livro do Ademiro Alves de Souza, O Sacolinha, no recém inaugurado espaço dos Contadores de Mentira. O livro do 'Sacola', com pretenções biográficas, é também um relato dos avanços e dos ranços culturais em Suzano que se reflete nas cidades da região. Vale a pena ser lido para conhecermos melhor a vida de um guerreiro, de alguém que ousou lutar contra o estigma da cor, da condição economica e geografica, e para entender que basta um pouco de vontade política, para ventilar de bons ares e para semear boas sementes na Cultura de nossa região. Sacola e Contadores de Mentira, se intercruzam naquilo que de melhor ocorreu no Alto Tietê nos últimos dez anos. Vida longa Sacola - Você ainda precisa escrever sobre a experiência de ser avô. Vida longa Cleiton Pereira e Contadores todos, nós precisamos de resistentes como vocês!

Comentário!


Ex-secretário de cultura de Suzano e atual vereador comenta biografia "Como a água do rio"



Sacolinha é um rapaz inquieto. Oriundo da periferia e negro como tantos outros, surgiu para contradizer a realidade de muitos que, como ele, poderiam se perder diante das adversidades da vida. Jovem ainda, mas com um currículo extenso, lança sua autobiografia “Como a água do rio”, onde conta sua história e sua trajetória.

Confesso que quando me pediu um texto para incluir em sua biografia, achei um pouco cedo, mas ao ler agora parte do seu livro - ainda não pude ler inteiro, pois o lançamento foi ontem -, percebi o quanto de história e de vivência ele tem.

Mudei de opinião. É preciso contar a vida em fases. Percebi agora que parte da minha já não tenho tanta lembrança e com certeza esqueceria de muita coisa, inclusive fotos e documentos, lamentei por mim. Mas Sacola é arrojado, tem energia, vontade e supera obstáculos com facilidade. Está escrevendo sua “ Trajetória Literária”, fico feliz por fazer parte de pouco de sua história.

O conheci menino ainda. Hoje já casado e com filha, mostra também sua maturidade como homem e como escritor. O mundo Sacola precisa muito de gente assim, mais artistas, mais poetas e menos burocratas.

Vida longa e sucesso sempre!

http://www.walmirpintovereador.com.br/2013/03/sacolinha.html

domingo, março 10, 2013

quinta-feira, março 07, 2013

Neste sábado!

 
Sarau LiteraturaNossa, da Associação Cultural Literatura no Brasil, estará neste sábado em Palmeiras, área rural de Suzano. Segue o cartaz:
 
clique no cartaz para ampliar

Release do Lançamento

De Suzano para o mundo!

Escritor Sacolinha contraria as estatísticas e é um contraponto ao estereótipo do jovem pobre e negro da periferia.
(Da assessoria do autor)


Publicado pela Aeroplano Editora, Como a água do rio, livro de Sacolinha, será lançado no dia 14 de março, quinta-feira, de 19h às 22h, no Teatro Contadores de Mentira (Rua Major Pinheiro Fróes, 530 – Parque Maria Helena – Suzano – SP – rua da estação de trem/lado terminal de ônibus). O livro faz parte da Coleção Tramas Urbanas, com curadoria de Heloisa Buarque de Hollanda, e patrocínio da Petrobras.


É no relato de suas experiências com os livros que Sacolinha procura mostrar a muitas pessoas o que o hábito da leitura pode fazer pela vida de alguém. Nascido em São Paulo, Sacolinha conta como começou seu contato com os livros, encarou um vasto mundo de possibilidades e transformou-se em um dos principais escritores e agitadores culturais de seu tempo.



Para a antropóloga e pesquisadora da produção cultural da periferia, Érica Peçanha, que assina a quarta capa, Sacolinha é “um autor que fez da articulação uma palavra-chave em seu vocabulário e uma marca da sua trajetória. Entre leituras à luz de velas e experiências de gestão cultural, em pouco menos de três décadas de vida já lançou cinco livros de ficção e agora publica sua autobiografia. Em tempos de glamorização de jovens, negros e pobres que contrariam estereótipos, a narrativa de Sacolinha se distingue por não apelar para a vitimização. Nada na história aqui registrada é linear, gradual ou previsível. Um convite ao percurso por um rio de águas correntes e sempre abundantes”.

A biografia do escritor Sacolinha foi escrita por ele mesmo. A história é narrada em flash backs desde a infância do autor até o ano de 2012. O foco principal do livro é a criação da Associação Cultural Literatura no Brasil, que surgiu em 2002, criada pelo Sacolinha, e que salvou muitas vidas, seja da alienação da TV ou do submundo.

A obra é toda recheada com imagens da trajetória do escritor, como na imagem da capa onde o autor ministra aula na Penitenciária de Segurança Máxima de Porto Velho (RO),e tem como alunos Fernandinho Beira Mar e Elias Maluco.

O título segundo o autor, significa renovação "a água que passa debaixo da ponte nunca é a mesma, ela se renova a cada instante, e assim sou eu, a cada livro lido eu me renovo, me emancipo. Sou como a água do rio", diz Sacolinha.

No lançamento o livro estará à venda ao preço promocional de R$ 20,00.

O livro também será lançado no dia 19 de março, terça-feira, às 20h, no Sarau Suburbano – Loja Suburbano Convicto – Bela Vista – Centro (SP), e no dia 20 de março, quarta-feira, às 21h, no Sarau da Cooperifa, Bar do Zé Batidão – Piraporinha – Zona Sul (SP).


SOBRE O AUTOR


Sacolinha(Ademiro Alves de Sousa) tem 29 anos, nasceu na cidade de São Paulo e é formado em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes. É escritor, autor de romances e livros de contos. Completou em dezembro de 2012, dez anos de carreira literária. Em sua trajetória já esteve em programas de televisão como Jô (TV Globo), Provocações, Metrópolis e Manos e Minas (TV Cultura). Trabalhou na secretaria de cultura do município de Suzano por oito anos (2005 à 2012), onde desenvolveu centenas de projetos de incentivo à leitura e de divulgação dos novos escritores, com destaque para o 1º Salão Internacional do Livro de Suzano. Trouxe para a cidade escritores como Ariano Suassuna, Marcelo Rubens Paiva, Ignácio de Loyola Brandão, Moacyr Scliar, Paulo Lins, Antônio Skármeta, Fernando Gabeira, entre outros. Ganhou vários prêmios por seus livros e seus projetos. Nos últimos anos tem viajado pelo país fazendo palestras e ministrando oficinas, principalmente em lugares vulneráveis e não muito comuns para eventos literários, tal como cadeias, penitenciárias federais, favelas, morros e associações de moradores. Recentemente prestou serviços para a UNESCO e para o Ministério da Justiça no projeto “Uma janela para o mundo – Leitura nas Prisões” nas Penitenciárias de Segurança Máxima. Desenvolve ainda uma palestra por semana nas escolas públicas do estado de São Paulo.

 



Contatos

Tatiana Louzada/Aeroplano Editora

(21) 2529-6974/(21) 2239-7399


segunda-feira, março 04, 2013

Por ocasião do papado


O vendedor de ideias

Salomão era decidido no que fazia. Primeiro começou inventando mensagens para concursos de melhores frases. Ganhou passeios, motocicletas, carros e até algum dinheiro. Depois partiu para a área de propaganda e marketing. Não precisou cursar faculdade para se destacar. Era só ter a ideia e partia atrás dos empresários. Não falava com qualquer pessoa, insistia em falar com o manda-chuva. E era só o empresário dar ouvidos a Salomão e a ideia estava comprada. Muitos, num primeiro momento, achavam que perdiam tempo com aquele sujeito cheio de soluções engraçadas e malucas. Mas logo percebiam que ele era um gênio do marketing.

Foi assim com diversas lojas, marcas de eletrodomésticos, móveis, roupas, refrigerantes, entre outras.

Chegou uma época em que ele nem precisava correr atrás, era o contrário.

Salomão, não se sentia mais um qualquer. Tinha prestígio e dinheiro. Quase uma autoridade.

Para ele isso não importava. A satisfação era completa quando via as suas ideias circulando pelo mundo. Multidões de pessoas sendo atraídas por uma mensagem de marketing criada por ele. Às vezes o produto nem era aquilo tudo, mas a propaganda fazia crer que sim.

Foi então que o dono de soluções tão fantásticas resolveu queimar seus neurônios criando propostas para o catolicismo.

Trancou-se em seu escritório durante dois meses. Quando saiu dava pra ver seu contentamento. Tinha criado o maior pacote de ideias para a religião que há muito vinha perdendo fiéis e credibilidade. Estava em seu poder a solução para esses problemas.

E qual não foi a surpresa das pessoas que o conheciam, quando Salomão partiu para o Vaticano em busca de uma reunião com o Papa?

Era ou não era um maluco?

Avisou que só voltaria depois que conseguisse apresentar todas as propostas que tinha criado. E tem mais: não cobraria um centavo pelo serviço. Quando criança aprendeu na igreja que o que vem de graça tem que ser passado de graça. O seu dom era divino, então nada mais justo.

Durante a viagem ensaiou várias vezes a resposta que daria ao Papa se ele insistisse em pagar pelas ideias, tamanha era a sua certeza pela recepção.

E acreditem leitores, não foi difícil de ser recebido pelo representante maior do catolicismo. Bastaram alguns dias de espera.

O fato foi que o nome de Salomão já havia ventado por aqueles lados. E afinal, o Papa era inteligente, não dava pra negar que há tempos a igreja estava precisando de ideias inovadoras.

Para justificar as suas propostas, Salomão fez uma explanação sobre as novas e já velhas práticas das autoridades católicas. Citou padres que são cantores e dançarinos e outros que escrevem livros. Falou dos copos de água em cima da TV durante a missa de domingo e várias outras coisas.

Quando iniciou a apresentação do pacote, disse que a igreja precisava de outras mídias, que tinha de acompanhar o ritmo das pessoas e que o cristianismo precisava de mais praticidade.

- Outras religiões estão ganhando força porque estão se adaptando. Vejam as que atendem os fiéis com hora marcada, em consultórios religiosos, fazem milagres via ondas do rádio, expulsam demônios só por telefone, e coisa e tal.

O Papa e seus subordinados começaram a torcer o nariz. Percebendo a situação, Salomão partiu logo para o ataque que acreditava infalível: abriu sua maleta cheia de ideias e foi projetando-as no telão, explicando-as uma a uma.

Ali tinha a proposta, a forma de colocá-la em prática, e ainda um manual para resolver futuros problemas.

Havia o disque-papa e o tele-padre. Missas relâmpagos para chamar a atenção de adolescentes e jovens nas escolas. E mais: transformar as missas em saraus católicos, fazê-las em academias de ginásticas, instalar telões em avenidas movimentadas, que transmitissem mensagens de Roma, produzir marcas de roupas com os nomes de Deus, Jesus e outros santos.

- Já pensou Vossa Santidade, dois meninos na periferia de São Paulo ou do Brooklin se vangloriando em usar roupas de marcas?

– Joãozinho que marca é a sua roupa?

- Ah, a minha é de Santo Antônio.

- E a minha, que é de Jesus?

Todos se entreolharam.

- E as procissões, Vossa Santidade, os idosos não agüentam mais a caminhada. E os jovens têm preguiça. Porque não iniciar as Prociatas?

O Papa fez cara de quem não entendeu.

- Eu explico – disse Salomão todo empolgado – É uma mistura de procissão com carreata. Hoje em dia quase todo mundo tem carro e os políticos usam muito desses artifícios lá no Brasil. Imagine um padre em cima de um caminhão com microfone e abençoando as pessoas nas ruas. Atrás do caminhão uma fila gigantesca de carros. Muito lindo e imponente não, Santidade?

Em uma das propostas havia a que colocava padres para tomar vinho nos botecos e jogar umas peladas nos fins de semana em campos de várzea. Essas duas últimas eram para completar o pacote de popularização da religião.

Tinha ainda a solução para a camisinha e para o aborto, mas não teve tempo de explicar.

Quase foi chutado dali.

Salomão voltou derrotado para casa. Pensava que suas ideias eram o grande trunfo para o catolicismo, praticamente um furo religioso.

- O catolicismo odeia evoluir. É só ver a época das mudanças, quando a missa era rezada em latim, e depois de muito tempo o padre Antonio Vieira a modificou com seus sermões em português. E somente agora os padres cantam, dançam e lançam livros. – Pensava o vendedor de ideias.

Como era decidido e disposto não iria deixar dois meses de trabalho e dedicação esvaírem-se numa negativa do Papa. Pensou em uma nova investida, só que dessa vez em outra religião.

O conselho nacional de pastores do Brasil não hesitou nem um pouco em implantar as ideias de Salomão. E ele ainda foi o convidado de honra para fazer parte do conselho como membro honorário, só criando ideias para o crescimento e o destaque da religião evangélica.

Salomão se contentou, claro, não era a sua religião, mas o importante estava sendo feito, iria ver mais e mais multidões sendo levadas pelas suas ideias.
 

Sacolinha