quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Guerra à empresa espanhola

Eu e a Telefônica! Confesso que em muitos momentos de minha vida, eu sinto inveja do personagem do meu conto “Reflexões de um mendigo”. Para quem não leu, trata-se de um ser humano que tinha tudo para viver confortavelmente e feliz, mas que de uma hora para outra, largou tudo e foi morar na rua. Tudo isso para evitar as contas e impostos, boicotar a televisão e evitar ser sugado por um patrão e por uma empresa que tratam funcionários como máquinas. Sinto inveja dele e dos hippies, porque pra nós, que estamos nessa vida, as coisas nunca estão cem por cento, além do mais vivemos correndo atrás disso. É ou não é? Quando você resolve um problema aqui, já tem outro pipocando ali. E assim você quase nunca está bem. Mesmo quando está gozando de uma saúde perfeita, há sempre algo a ti incomodar; é uma unha encravada que está lhe matando de dor, uma bela espinha na ponta do nariz, o cabelo que não obedece (ou cai ou fica rebelde), a barriga crescendo, briga com namorada (o) ou esposa (o), o carro que vive pedindo peças novas, a conta que você já pagou, mas que não acusaram o pagamento, as fofocas envolta de seu nome, um parente pedindo dinheiro emprestado, os vários impostos que você paga e não vê como sair deles, o computador com problemas, o cano de água que furou, o filho que arrumou encrenca na escola, o dinheiro que nunca dá, as coisas que você nunca consegue fazer... - Chega! Foi isso o que eu disse para a Empresa de Telecomunicações de São Paulo, a Telefônica, nesta manhã. - Chega! Eu estou me sentindo roubado. Isso é uma sacanagem, não dá mais. A atendente não entendia a minha revolta de anos e anos sendo ludibriado por esta empresa. Ela só dizia: - Calma senhor, seu problema será resolvido. - Mocinha, me ouve, por favor. Eu só quero cancelar o Speed e a linha telefônica, não quero papo, não quero argumentações, só quero cancelar os serviços maus prestados. Será que para isso eu vou ter que gastar dinheiro com advogado? E ela insistia: - Senhor Ademiro isso, senhor Ademiro aquilo... - Porra, eu só tenho 23 anos. Por que não me chama de Seu Cafetão? E desliguei o telefone com o ódio lacrimejando em meus olhos, além de muita raiva de mim mesmo por ter me habituado a usar esse serviço de telefone residencial. Deveria ter optado só pelo celular e pelos telefones públicos. E o pior é que a atendente não tem culpa, sei disso, os culpados estão em casa, tomando suco de laranja no café da manhã e praticando as cenas mais podres da elite brasileira, enquanto a atendente faz o joguinho sujo deles, por um pequeno salário, enriquecendo os patrões, quando na verdade ela come ovo frito todos os dias e pisa no barro o tempo, ganhando um salário de R$ 380,00 por mês. Bebo um copo d’água e pego novamente no telefone, procurando ser mais calmo dessa vez. Mas a culpa é deles, que fazem um rodeio de enrolação. Eu só quero cancelar o serviço, apenas isso. Disco o número e ouço a voz eletrônica: “Bem vindo a sua central de relacionamento telefônica, bom dia. Tecle o DDD, mais o número do telefone para o qual deseja solicitar serviço. Se você não possui linha telefônica tecle...” Ah! Vão á merda. Deviam dizer: - Atenção, aqui é a Telefônica e isso é uma tortura seguido de vários assaltos á seu bolso. Aí sim estariam certos. Não adianta o leitor achar que é exagero, se pensar isso é porque nunca passou pelas torturas desta empresa. Pois imagine você querendo apenas tirar uma dúvida e ser transferido várias vezes, além de passar todos seus dados para cada novo atendente. Isso sem contar os momentos em que eles desligam o telefone, sim, porque conheço bastante gente que trabalha nessas empresas e diz que em muitos momentos eles desligam o telefone e simulam para parecer que caiu a ligação. Muitas vezes recebem ordens para isso, outras, fazem por eles mesmos, já que na própria empresa não existe um aparelho para pegar essas façanhas. Lá eles têm de tudo; bloqueador de interurbanos, transferências de chamadas, atendimento simultâneo, caixa postal, secretária digital, discagem abreviada, detecta, speed, e vários outros serviços digitais. Só não tem a porra de um equipamento que identifica se a ligação caiu ou se alguém desligou. Apertei o botão viva-voz do meu aparelho e ao passo que ia seguindo as instruções de uma secretária eletrônica, ia adiantando os meus afazeres. Passados exatos 20 minutos, a ligação finalmente chegou no destino, que era o setor de cancelamento de produtos, mas qual foi a minha surpresa? “No momento, todos os nossos operadores estão ocupados. Por favor, aguarde, que logo daremos continuidade ao seu atendimento”. Só de raiva, resolvi aguardar. O telefone ainda estava no sistema de viva-voz. Fiquei ocupado com outras tarefas, enquanto o ouvido prestava atenção nas músicas e propagandas que rolavam. E como era de se esperar, passou-se 56 minutos e nada. Quando iria completar 1 hora de espera, ouvi a voz de uma atendente seguida de um sinistro som: “Telefônica 15, Andréia, em que posso ajudar... tu, tu, tu, tu, tu...” A ligação caiu, ou desligaram? Desisti leitor, infelizmente a Telefônica conseguiu me vencer nessa parte. Então, subi no poste residencial, cortei todas as fiações do telefone e quebrei o aparelho que traz a conexão de um poste á outro. Desci pra casa com a decisão: Irei contratar um advogado, e a partir de agora sou o inimigo número 1 da Telefônica, vou boicotar todos os produtos desta empresa multinacional estrangeira. Ah se vou. Fora Telefônica, eu te odeio! Não queria encrenca, apenas cancelar o serviço, só isso meu Deus. Será que é possível? E depois de tudo isso, ainda irei colocar a telefônica no meu próximo livro. Deixa estar.
Sacolinha, doido de vontade de acabar com a telefônica.

Um comentário:

RIKA REEXISTÊNCIA disse...

Amigo Sacola,
Te entendo perfeitamente! Sou a rainha da briga e a rainha do Procon, os caras não aguentam mais ver minha cara ou ouvir minha voz. Já cheguei a inventar doenças e viagens ao exterior para conseguir cancelar sem ladainha. Esse país é o fim!!!!
Sou solidária a você!
Ricarda