segunda-feira, janeiro 26, 2009

O livro está nas ruas!

Seja nos vidros dos carros...
no peito do leitor...
ou nas mãos dele...
Célio Turino segura a 1ª edição de 85 Letras e um Disparo

Leitores conferem uma entrevista comigo na revista Vida Simples

sábado, janeiro 24, 2009

Indicação de blogs

Queridos (as), hoje venho aqui somente para fazer a indicação de duas páginas na internet. Trata-se da Dalila Teles Vera e da Livraria Alpharrábio. Pai e Filho. É que a Dalila é proprietária dessa livraria que também é sebo e Centro Cultural. Lancei meus dois primeiros livros lá, em Santo André. O Graduado em Marginalidade foi lançado em dezembro de 2005 e o 85 Letras e um Disparo em setembro de 2006. Inclusive foi nesses dois dias que conheci o Zhô Bertolini e a Jurema Barreto da revista A Cigarra. Também conheci os amigos Hildebrando Pafundi, Edson Bueno de Camargo, o marido da Dalila e outros que não recordo os nomes. Eu linkei na lista dos blogs aqui dessa página, mas estou ressaltando neste post porque vale mesmo a pena. Então, não perca mais tempo e nem pague bobeira.
Acesse: dalilatelesveras.zip.net/ e http://blog.alpharrabio.com.br/

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Ficaram prontas!

Conforme prometido, chega amanhã mais 30 camisas com o logo "85 Letras e um Disparo". Edição limitada nas cores branca e preta, P, M, G e GG. R$ 15,00 (quinze reais). Interessados em adquirir a sua favor enviar e-mail com o pedido para: sacolagraduado@gmail.com

quinta-feira, janeiro 22, 2009

Buzão!

Aos queridos internautas que não assistiram ao quadro Buzão - Circular periférico - especial fim de ano, comandado pelo apresentador Alessandro Buzo. Aí vai o vídeo do youtube. Várias espaços e pessoas importantes na cena cultural de São Paulo e Rio. É só clicar.

Entrevista

Ouça no link abaixo um trecho da minha entrevista para a rádio DS FM, onde eu falo da Coordenadoria Literária de Suzano e do Centro Cultural Boa Vista, ambos na minha responsabilidade.
http://74.86.174.158/linhafina/ds_fm/coordenadoria_dia12-01.mp3

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Último Sarau

Na última quinta-feira (15/01 - 19h) estive presente no Sarau Afro Mix promovido pelo Quilombhoje, e realizado na Casa de Cultura da Penha. Este evento é uma iniciativa inovadora que consiste na junção dos vários gêneros literários, entre eles poesia, conto, cordel, etc. Há ainda mini-palestras sobre vários temas ligados à questão racial com a participação de escritores e educadores. O próximo sarau está previsto para abril e com a presença da cantora Paula Lima. Fiquem ligados.
escritores: márcio barbosa e sacolinha
o homem do cordel
teve até capoeira
e música
joyce e sérgio ballouk
márcio abrindo o sarau
e o público
cosme nascimento, lia jones e seu filho tocando um som

sexta-feira, janeiro 16, 2009

Até quarta-feira

Queridos, por conta de umas correrias pessoais eu só volto a postar aqui na quarta-feira, 21/01. Aí, aproveito e publico as fotos do Sarau Afro Mix que participei ontem, promovido pelo Quilombhoje Literatura.

Ser Pai...

Ahá, peguei vocês. Ainda não dá pra eu escrever um texto sobre ser pai. Meu filho ainda nem nasceu, e nem sabemos o sexo ainda. Têm somente três meses na barriga da mamãe. Mas na primeira ultra-som, feita na semana passada, já deu para ouvir o coração da criança. Infelizmente eu não estava lá, mas a Landy ficou que foi só alegria. Até senti ciúmes. Depois eu tive acesso ao ultra-som e vi a mancha em formato de gente. Tive uma boa sensação, acho que não igual a da mãe que viu e ouviu ali na hora, ao vivo. Enfim. Tudo isso é pra dizer que assim que eu passar por todas essas fases, até o nascimento e as primeiras noites, aí eu escrevo aqui um texto falando da minha sensação de ser pai, o que eu sempre quis. Saudações!

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Hoje tem...

SARAU AFRO MIX

DIA 15/01 - 19h às 21h - Penha

Minipalestras:

- A Poesia Afro e o Rap

- Atualidade de Lima Barreto

- O 13 de maio e a poesia afro-brasileira

Participação: Joyce Cristina Rodrigues, Sergio Ballouk, Tico de Souza, Esmeralda Ribeiro, Helton Fesan, Márcio Barbosa e Sacolinha

Haverá também a participação especial da cantora Lia Jones, do rapper Raphão Alaafin e de Cosme Nascimento na percussão

Haverá uma roda de poemas. Leve seus textos.

Alguns poemas serão selecionados para fazer parte do livreto Sarau Afro Mix.

Data:

15 de janeiro de 2009, das 19h às 21h. Local: Casa de Cultura da Penha, Largo do Rosário, 20 – 3º andar. Entrada Franca.

Reprise - Provocações

E quem perdeu a minha entrevista no programa Provocações da TV Cultura, terá uma nova oportunidade. De hoje para amanhã, às 02h30 (é na madrugada mesmo). Eu, como chegarei em casa depois da meia-noite por conta do Sarau Afro Mix, vou assistir novamente. Saudações literárias!

terça-feira, janeiro 13, 2009

Navegação no Tietê

Gosto de ser fiel aos compromissos que assumo. Em dezembro passado, após navegar num trecho do Rio Tietê junto ao poeta e cordelista Denivaldo Araújo, resolvemos e firmamos que no primeiro domingo de janeiro iríamos navegar novamente. Só que desta vez, saindo de Mogi das Cruzes e indo até Itaquaquecetuba. O fato é que o primeiro domingo do ano amanheceu choroso e adiamos a aventura para o domingo seguinte. E neste dia (11/01 - às 8h30) embarcamos, eu, Denivaldo Araújo e o escritor Cákis. Conforme prometi, aí estão as fotos. Mas não se empolgue com as primeiras belas imagens. a coisa está ruim para o nosso lado.
A viagem duraria cerca de 4 horas e remaríamos por cerca de 30 km, incluindo aí 3 paradas para assar a carne e tirar umas fotos em terra firme. O caminhão deixou a canoa junto com o Denivaldo às 8h na ponte de Jundiapeba, distrito de Mogi das Cruzes, lá nos encontramos e às 8h30 jogamos a canoa n'água e embarcamos nela junto com uma centena de pernilongo.
A partir daí era só remo e tapa nos bichinhos que caiu de boca na nossa pele procurando algum lugar para chupar sangue. Eu e o Denivaldo fomos à frente comandando a canoa e para equilibrar, já que nós dois não dá o peso do Cákis que foi sozinho atrás, tirando algumas fotos e procurando flagrantes.
Quando os pernilongos sumiram, quando já tinhamos remado uns 4 km, quando já tinhamos clicado algumas fotos e feitos vários flagrantes nas costas das empresas que despejam seu lixo no rio, quando já tinhamos nos escondidos 3 vezes do helicóptero da marinha, enfim, quando a viagem começou a ficar boa, avistamos o pior lá na frente.
Assim como nos 3 trechos em Suzano que vimos em dezembro, onde o rio morria por conta das garrafas pets, galhos e troncos de árvores, corpos de animais e aguapés, nesse trecho encontramos uma barreira maior, e pior, que acabou com a nossa esperança de descer livre até Suzano.
Pra entender o que estou falando vou detalhar: temos o rio. Num determinado trecho desse rio alguns troncos de árvores encalham ao fundo, aí vem uns galhos e grudam nesses troncos formando uma barreira. Depois vem sacos de lixos, móveis, cachorros mortos e garrafas. Tudo parando na barreira e ajudando a fechá-la mais. E quando ela chega à superfície é a vez dos aguapés, que nascem e proliferam, e daí nasce e cresce até árvores.
Pronto, por aí o rio já não passa. Ele está morto nesse trecho. E o que acontece? Ele procura as laterais para correr e continuar o seu percurso. Nisso vai criando outras margens e correndo por outros lugares nunca antes imaginados: fundos das empresas, lagoas, campos de futebol de várzea, até chegar às ruas e casas. Aí, já é tarde meus caros.
Voltando então para o momento em que tivemos que abortar a viagem. Tentamos procurar o outro trecho onde o rio fluía novamente, mas essa barreira tinha mais de 500 metros, cerca de meio quilômetro, e a canoa dessa vez era mais pesada. Até carregamos ela por uns metros, mas depois que encontramos o Seu Aníbal, que mora num terreno às margens do rio, e ele disse que dali há dois quilômetros o rio morria de novo e mais há frente de novo, desistimos de navegar, pois se insistíssimos, passaríamos o resto do dia navegando um pouco e carregando a canoa na margem e nunca chegaríamos à Suzano.
Então paramos ali mesmo e acendemos um fogo para fazer brasa e assar a carne, enquanto isso papeamos sobre muitos assuntos com o Seu Aníbal que cria gado, galinha, planta abacaxi e orquídeas, tudo ali na beira do rio.
Depois da carne, compramos 4 litros de leite (fresquinho) do Seu Aníbal e ganhamos dois ramos de orquídeas ainda com a raíz. Esse senhor ainda fez o favor de atravessar a gente para o outro lado, de onde ficou mais fácil para voltarmos na caminhada para casa.
Mesmo diante do acontecido ainda conseguimos repor as energias para esse ano, pegar muitas informarções que irão me ajudar na revisão final do meu romance ecológico "O homem que não mexia com a natureza", e ainda adquirir muita inspiração.
Faço isso por todos esses motivos e porque não sou escritor de gabinete, gosto de ir atrás do meu assunto.
Ainda temos mais imagens. Essas que vocês estão vendo são da minha máquina. O Cákis tirou outras na máquina dele e inclusive filmou alguns momentos, já que ele estava numa posição privilegiada e com as mãos abanando.
Essas fotos não estão na ordem, justamente para fazer você ler todo esse texto e só aí identificar os momentos.
Quem tiver a oportunidade de vir até Suzano, na minha casa ou no Centro Cultural, eu mostro todas as fotos e os vídeos que fizemos.
Mas é preciso gostar da natureza para isso. Eu gosto dela a ponto de viver essa aventura.
Mas que não vai ficar somente nisso. A denúncia virá em forma de livro.

Rádio DS FM

Ontem, segunda-feira, estive na rádio DS FM concedendo uma entrevista para o colunista social Gil Fuentes. Conversamos sobre Literatura o tempo todo, contrariando outros meios de comunicação que só querem falar de violência e vida íntima. Foi 1h de entrevista. Quem ficou sintonizado pela rádio ou através do site, ouviu um bate papo gostoso e incentivador.

Diário de São Paulo

Clique para ampliar e ler a matéria
Essa matéria foi publicada no jornal Diário de São Paulo de segunda-feira, 12/01. Agradeço ao amigo e escritor Robson Canto pelo scanner e postagem em seu blog: www.robson-canto.blogspot.com

sábado, janeiro 10, 2009

Segunda na mídia

Nesta segunda-feira o jornal Diário de São Paulo traz uma matéria comigo feita pelo jornalista Donizete Costa. Nela o leitor saberá de um fato inédito que eu nunca contei em lugar algum. Esse fato foi fundamental para a minha carreira de escritor e para a minha afirmação de apenas fazer literatura, sem rótulo algum. _____________________________________________ E nesse mesmo dia, às 12h, estarei na rádio DS FM (90,7) sendo entrevistado pelo apresentador Gil Fuentes. Quem não conseguir sintonizar via rádio, pode ouvir pela internet. www.diariodesuzano.com.br

Eu e o Rio Tietê

Salve, salve navegantes. Quero agradecer às dezenas de e-mails que chegaram de ontem pra hoje me parabenizando pela entrevista no Provocações. Eu simplesmente fui o que eu sou em qualquer lugar, odeio cara feia, falta de sorriso mesmo querendo sorrir e num gosto de botar marra. Quem me conhece sabe que sou viciado em felicidade. No mais quero lembrá-los da minha aventura desbravando o Rio Tietê. Lembram que em dezembro eu, junto com o amigo e cordelista Denivaldo Araújo, naveguei de Suzano até Itaquequecetuba? Então, agora será maior o percurso e com mais pessoas. Quatro doidos estarão numa jangada feita de garrafas pet vindos da cidade de Mogi das Cruzes até Itaquaquecetuba. O objetivo é renovar as energias para esse ano de 2009, trazer mais inspiração e conhecer mais um pouco desse imenso Rio que passa por um bom pedaço da minha cidade. Aproveito para dizer que em dezembro passado eu terminei um romance ecológico intitulado "O homem que não mexia com a natureza". Portanto, essas minhas investidas no Tietê também me ajudará na revisão final desse novo livro. Aviso que a minha máquina fotográfica já ficou pronta e que no máximo na terça-feira à tarde vocês verão aqui imagens da nossa aventura de domingo. Porque navegar é preciso.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

Imprensa

Matéria publicada no jornal Mogi News de 09/01/2009 - Mogi das Cruzes - Grande São Paulo
Escritor de Suzano é a atração de hoje no programa "Provocações"
Em entrevista a Antônio Abujamra, na TV Cultura, Sacolinha revela detalhes de sua vida literária, que teve início em um trem
Provocações: O escritor Sacolinha se sentiu bem à vontade ao ser entrevistado pelo experiente Abujamra
BÁRBARA BARBOSA Da reportagem local
O programa "Provocações", apresentado por Antônio Abujamra na TV Cultura, recebe hoje, a partir das 22h10, o escritor Ademiro Alves, o Sacolinha. Em entrevista ao experiente Abujamra, ele fala sobre sua trajetória na literatura, que teve início durante uma viagem de trem, e revela detalhes sobre a vida em Suzano, onde reside desde 1998. Quem assistir ao programa pode esperar uma conversa bastante inusitada e provocativa, como já insinua o nome da atração. O bate-papo, segundo Sacolinha, teve início com uma afirmação do entrevistador. "A conversa foi permeada por uma pergunta que ele (Abujamra) fez logo no início. Primeiro, afirmou que, na periferia de todo o Brasil, eu sou o escritor que tem mais estilo. Logo em seguida, ele me perguntou se isso era um elogio ou uma provocação. E isso desenrolou a entrevista, que abordou até mesmo questões ambientais de Suzano", adianta o escritor. A cidade do Alto Tietê, aliás, foi o ponto de partida para a vida literária de Sacolinha, que durante uma viagem de trem entre Suzano e São Paulo descobriu a leitura. Segundo ele, no trem as pessoas conversam sobre vários assuntos, como novela e futebol, leem ou dormem. Entre tantas viagens que fazia, ele optou por ocupar o seu tempo com a leitura. A primeira obra que ele leu foi o "Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos. Daí em diante, não parou mais. Começou a escrever e montar inúmeros eventos de incentivo à leitura. Sobre sua personalidade, Sacolinha diz que é uma das pessoas mais contraditórias que conhece. Até se descobrir escritor, ele não havia lido nenhum clássico da literatura brasileira: "para mim, era sinônimo de livro chato". Depois disso, ele afirma ter encontrado na leitura a salvação para sua vida.
Livros Nascido em São Paulo, atualmente Sacolinha trabalha na Prefeitura de Suzano, onde coordena o Centro Cultural do Bairro Boa Vista. Com dois livros publicados - "Graduado em Marginalidade" e "85 Letras e um Disparo" -, ele também dedica o seu tempo à produção de novas obras. Para o segundo semestre de 2009, o escritor pretende lançar o romance infanto-juvenil "Peripécias de Minha Infância", já finalizado. Além disso, deve ser lançada, ainda neste ano, uma segunda edição de "Graduado em Marginalidade", de 2005.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Produção em massa

Segue abaixo um pouco do que ajudei a produzir no ano de 2008 na cidade de Suzano. Apreciem com moderação.
Clique em cima para ampliar

Curta essa dica!

Acesse o site da revista Brasil e veja o que falaram dos livros da Coleção Literatura Periférica da Global Editora, inlclusive do "85 Letras e um Disparo".
Clique aqui: http://www.revistadobrasil.net/curta_essa_dica.htm

quarta-feira, janeiro 07, 2009

Camisa 85 Letras

Não sou estilista, muito menos quero lançar uma grife. Explico: Saíram hoje dez camisas com a logo do livro 85 Letras e um Disparo, desenhada pelo grafiteiro Raça, daqui mesmo de Suzano e prensada pela loja de roupas Contacto Sport. Não tenho intenção de comercializar e nem de lançar a marca, estas camisas só foram feitas porque três pessoas se juntaram e resolveram dar mais visibilidade ao livro. Para os próximos dias sairão mais 30 camisas, e como a edição é única e limitada (assim como foi com o adesivo de carro) quem quiser pode pedir a sua por apenas R$ 15,00 (quinze reais). Estampa e pano bons. Saudações!

terça-feira, janeiro 06, 2009

Nova matéria

Hoje de manhã o fotógrafo Anderson do Diário de São Paulo veio até a cidade de Suzano para fazer uma foto comigo que irá ilustrar a matéria do colunista Donizeti Costa. Ela será publicada na semana que vem e vai falar sobre a minha vida, meus livros e minha trajetória. Assim que tiver o dia exato eu aviso aqui. Saudações literárias!

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Nesta sexta-feira

Crônica inédita

Por que escrevo*

Sempre acreditei que o ser humano precisa de uma válvula de escape para suportar os problemas. Alguns aproveitam os finais de semana indo à baladas, dançando e bebendo o tempo todo. Outros vão às compras consumir, alguns se drogam, outros descarregam seu estresse no ato sexual.

Na minha cabeça têm sempre duas opiniões distintas, pensamentos cruéis, dúvidas, imaginações mil, enfim, vivo em constante conflito comigo mesmo.

Para apaziguar esses demônios achei na escrita a minha válvula de escape. Mas escrevo também por outro motivo em particular.

Na minha infância sofri muito preconceito racial por ser negro. Sofri porque não sabia me defender, e achava que ser negro era errado.

Para completar a minha falta de auto-estima algumas cenas do meu dia-a-dia deixavam-me totalmente pra baixo.

Uma das atividades em sala de aula era colorir figuras. As professoras passavam o desenho pra gente e quando esse desenho era um ser humano, sempre via algum aluno pedindo o lápis de cor bege porque queria pintar da cor de “gente”. E eu ficava perguntando pra mim mesmo se “gente” era apenas bege.

Outro fator foram as histórias em quadrinhos que raramente tinham personagens negros ou da “cor preta”. Exemplo disso são os gibis da Turma da Mônica de Maurício de Souza. O único negro que eu conhecia na história era o Pelézinho, que só aparecia vez ou outra.

Os desenhos animados pra mim eram um grande desanimador, deixavam-me ruminado fatos e coisas com relação a heróis negros. Tinha um personagem que ficava forte de uma hora pra outra, crescia que até chegava a rasgar as roupas do corpo. Mas ele era verde.

Passava nessa época um seriado muito conhecido chamado “Os Trapalhões” onde os únicos negros que tinham era o Mussúm que só queria saber de samba e de beber cachaça, e o Tião Macalé, um ator que só aparecia quando o programa ia para o intervalo e dizia; “Ih, nojento, tchan” – e sorria sem os dentes da frente. Ele era banguela.

E pra completar a falta ou a má imagem do negro na sociedade, muitas vezes assistia novelas e filmes com meus tios e minha avó. O negro dificilmente aparecia, e quando isso acontecia era sempre em último plano.

Então, não escrevo apenas como uma válvula de escape, mas também como vingança. Quero criar meus próprios personagens e da minha forma de ver o mundo, como ele existe ou pode existir. Para preencher o vazio deixado por outros.

É por isso que escrevo.

Sacolinha
*publicada originalmente no livro "Racismo: São Paulo Fala" - dezembro - 2008

Conto inédito

O último azulejo*
Irene saiu de casa esbanjando alegria, tudo nela exalava satisfação; a roupa, o cabelo e os olhos. Finalmente sairia do aluguel para morar no que é seu. Parou na padaria para tomar um pingado. Enquanto bebia o líquido quentíssimo, como se estivesse tomando sopa lembrava por tudo que passou para chegar àquele dia. Chegou a comprar três terrenos, para somente um ser o seu. O primeiro foi estelionato e o segundo era terreno público em área de manancial. Somente depois de tudo isso é que aprendeu a consultar a prefeitura ou o cartório, e assim conseguir comprar um imóvel dentro da lei. Também, coitada, mineira que chegou a São Paulo na década de 80 e não teve tempo pra estudos, somente trabalho em casa de família. A vida inteira assim, até que se casou e conseguiu um emprego definitivo como auxiliar de limpeza no hospital Santa Marcelina. Foi com esse emprego que começou a guardar dinheiro para sair do aluguel. Mas o marido era quase um chupim, vivia sem trabalhar. Uma hora ou outra fazia um bico aqui ou um biscate ali, e o restante do mês passava nas costas da mulher. Irene logo ficou grávida e veio o primeiro filho. No calor da primeira vez o relacionamento parecia mudar. Ele arrumou um emprego e parecia mais bonzinho. Bebida, era só uma dose de qualquer coisa pra abrir o apetite. Isso Irene agüentava, e até dava aquele beijo de saída e de chegada que havia cessado no início do casamento. Assim que a criança completou seis meses, Irene ficou grávida novamente e tudo começou a se perder outra vez. Ele não a procurava mais, quase não queria saber dos filhos e só não perdeu o emprego, pelo contrário, parecia mais trabalhador do que antes. Saía de casa bem cedo e voltava quase no fim da noite. Ela sabia que alguma coisa estava errada nisso tudo. E estava mesmo. Três anos mais tarde o marido saiu de casa para casar com a amante. Um baque terrível no coração e na cabeça de Irene. Agora dava conta sozinha do aluguel e das duas crianças. Decidiu por orgulho não ir atrás do cafajeste para cobrar pensão. Daria conta do recado, afinal era de Minas Gerais e não se entregava fácil. Passados mais cinco anos a angústia já tinha ido embora e o que reinava era mesmo a dificuldade de ser mãe solteira, ter de trabalhar, cuidar dos filhos, levá-los à escola, cozinhar, comprar roupas e dar atenção especial ao menino mais novo que vivia doente. Fora tudo isso ela tentava adquirir um terreno, e foi quando aconteceu os incidentes. Mas agora estava tudo andando na linha. Há seis anos comprara o terreno e passou os dois últimos construindo. Uma parede pronta aqui, uma coluna enchida ali e o pagamento para o pedreiro. Construiu a casa em quatro fazes: Alicerce, paredes e colunas, laje e agora o acabamento. Acabou de bebericar o pingado, pagou e saiu contente em direção ao ponto de ônibus. Embarcou na condução e assim que sentou retornou seus pensamentos a casa. Falava sozinha: - Até que enfim meu Deus. Da janela do ônibus olhava para as casas lá fora e tentava imaginar que tipo de piso ou azulejo elas tinham em seus interiores. No dia anterior passou na casa nova e conferiu o acabamento. Só faltava a cozinha, o piso da cozinha. Deixou o dinheiro da parcela final do pedreiro e pediu pra caprichar na finalização. E que quando estivesse colocando a última peça lembrasse que aquilo era um momento histórico na vida dela. Chegou ao hospital e lá trabalhou muito melhor que todos os outros dias da sua vida. E ninguém percebia isso, somente ela, porque era só dela aquele momento. Amanhã será a folga. Com a ajuda das crianças e dos carregadores do caminhão vai mudar para a sua casa. E Irene não pára um só instante, não deixa um minuto sequer para a tristeza. Casa nova, vida nova. Daqui pra frente tudo vai ser bom pra ela e para os que saíram dela. Agora sim vai poder dedicar mais tempo para os seus filhos quase homens. Ela largou do emprego às cinco da tarde. Trancou o uniforme em seu armário e partiu com a intenção de ir ver a casa pronta. Foi quando ela atravessava a rua, distraída pela alegria, que o Ferraizão, ônibus com destino a cidade de Ferraz de Vasconcelos, lotado de passageiros, passou por cima das suas pernas, esmagando-as e deixando somente uma massa de carne cheia de sangue. Irene ainda tentou levantar várias vezes enquanto o resgate não vinha. Houve um momento em que ela conseguiu ficar sentada. O resgate chegou quando ela dizia: - Tá doendo, tá doendo. O médico disse que ela iria ficar bem, mas apenas fazia o seu papel. Na hora em que ela foi colocada na ambulância começou a dizer insistentemente: - Eu tô feliz doutor, minha casa ficou pronta, eu vou me mudar para o que é meu. Morreu antes mesmo de chegar ao hospital. Lá em Itaquera, na Rua Bartolomeu Ferreira, o pedreiro terminava de colocar o piso e se preparava para lavar as ferramentas.
Sacolinha
* publicado originalmente na revista Não Funciona nº 18 - dezembro - 2008

terça-feira, dezembro 23, 2008

Aqui só em janeiro

Queridos amigos, chega de blog esse ano. Só volto aqui no dia 06 de janeiro de 2009, já com novidades. Bom tudo pra todos e todas. A gente se vê! Qualquer coisa estarei acessando o e-mail: sacolagraduado@gmail.com Abraços... Sacolinha!!!

Em 2009 tem...

Publicações: 2ª edição do romance: Graduado em Marginalidade Lançamento do romance infanto-juvenil: Peripécias de Minha Infância